Bauru - 17/08/2019 - 10h10

DDM aplica novo formulário a vítimas

Redação/Ana Beatriz Garcia-JCNet

A partir desta segunda-feira (19/08), a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru passará a aplicar um formulário psicológico/emocional para todos os inquéritos policiais de violência doméstica. O objetivo é dar um melhor direcionamento às vítimas e também saber mais sobre os autores.

Quem auxiliou a titular da DDM, Priscila Bianchini (foto acima), na elaboração do documento foi Kimberli Kamila Medolago de Lima, estudante de Psicologia que estagiou na unidade especializada por um ano e é vice-coordenadora do projeto "Todas por Uma".

Esse novo formulário, com 18 questões objetivas, une-se ao questionário criminológico que já era aplicado. "Isso vai ajudar muito a polícia e a Justiça para dar a melhor orientação para a vítima não sofrer novamente", afirma a delegada.

Antes, as questões psicológicas eram colhidas nas declarações ao delegado. "Às vezes, existia uma demora na oitiva dessas mulheres, poderia causar um constrangimento por conta de algumas perguntas mais íntimas e, por focar no dia dos fatos e na parte criminológica, algumas perguntas não eram realizadas", esclarece Priscila.

Agora, a DDM de Bauru sai na frente de algo que já está em discussão. "Existem estudos sobre essas aplicações e algo em andamento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que se torne prática nacional. Mas, independente de determinações, já vamos implantar", diz.

Direcionamento
Segundo Priscila, o formulário, que será encaminhado ao Poder Judiciário, facilitará ao dar outra visão do aspecto psicológico da vítima, além de apontar os riscos que a mulher está sofrendo naquela relação.

Isso auxilia também a direcionar qual é a medida protetiva mais adequada para cada caso. "Hoje, a mais utilizada é o afastamento do agressor do lar e que ele não se aproxime da vítima, mas existem outras medidas muito importantes que são pouco utilizadas, até pela falta dessas informações", explica.

O formulário também pode ajudar a detectar com que tipo de autor a polícia está lidando. "Ele é viciado em álcool? Droga? Tem problema psiquiátricos? Tem arma em casa? Faz agressão na frente dos filhos ou crianças? São perguntas que mensuram o risco que a vítima está correndo", afirma.

Priscila Bianchini ainda teoriza que o combate à violência doméstica não se restringe a um estudo só da vítima, mas também do autor, sob os aspectos criminológico e psicológico. "Importante saber que tratamento deve dar a esse autor, para que ele deixe de ser esse criminoso de violência doméstica. Creio que os Estados e municípios deveriam fazer programas de reflexão psicossocial com este homem, para que se trate isso e evite a recorrência", finaliza a titular da DDM.

Últimas notícias