Bauru - 24/01/2020 - 15h20

Presidente da Câmara de Bauru quer CEI da Cohab

JCNet

O presidente da Câmara Municipal, vereador José Roberto Segalla (DEM), defende a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os contratos e possíveis irregularidades na Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Se aberta, a CEI se somará à outra investigação, feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Para o presidente da Câmara, é preciso uma apuração no âmbito político pela Casa de Leis. "Entendo que uma CEI é necessária pois o que aconteceu na Cohab tem consequências do ponto de vista político. Mas esta é uma decisão que precisa de apoio da maioria da Câmara. A apuração do MP e da CEI seriam complementares, uma não impede a outra. Além disso, sou favorável também a uma auditoria externa das contas da Cohab, para dar mais transparência em relação ao que era feito", afirma.

Banco Central
O vereador Coronel Meira (PSB), vice-presidente da Câmara, também deve trabalhar pela proposta de CEI, e solicitou para a deputada federal Renata Abreu (Podemos) para que ajude a marcar uma reunião com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e com membros do Banco Central. Ele entende que o governo federal precisa tomar conhecimento do caso, ajudando com providências, uma vez que a Caixa é parte interessada.

A Cohab tomava crédito com a Caixa para as construções e tem, por conta disso, dívidas com o FCVS e o FGTS. A companhia pretende assinar um acordo de R$ 430 milhões com a Caixa para pagar a dívida, por um período de 20 anos. As parcelas ficarão em mais de R$ 2 milhões mensais, divididas entre prefeitura e Cohab.

Apuração segue no Gaeco
No Gaeco, a análise do material apreendido no final do ano passado está em andamento. Foram recolhidos, entre outros, cadernos com anotações e computadores.

O material digital, contudo, ainda será decupado por perícia especializada e deve demorar um pouco mais para ter conclusão. A estimativa dos promotores é que as investigações durem pelo menos seis meses, pois além de todo o material há ainda depoimentos de funcionários, ex-funcionários e outras pessoas que podem ter algum envolvimento com a Cohab. As primeiras oitivas foram na semana passada, e mais depoimentos ocorrerão nas semanas seguintes.

Em um dos depoimentos, um funcionário teria afirmado que saques de R$ 400 mil, em média, eram feitos todo mês, valor que deveria ir para o pagamento de parcelas do seguro habitacional com a Caixa. Porém, não foram encontradas notas com a comprovação de pagamento. A Cohab também enviou documentos para o Gaeco com mais detalhes, inclusive sobre esse caso.

O Gaeco deu início às apurações no ano passado, e em dezembro deflagrou a Operação 'João de Barro'. Foram apreendidos diversos materiais na Cohab e em outros endereços em Bauru e fora do município.

A investigação é sobre contratos feitos pela companhia com empresas de construção, com pagamentos antes da confirmação de acordo na Justiça. O Gaeco encontrou ainda 1,6 milhão em notas de real, 30 mil em notas de dólar norte-americano e valores menores em euro e libras esterlinas na casa do então presidente Edison Bastos Gasparini Jr., que estava no cargo há 15 anos. Ele pediu exoneração no mesmo dia e afirmou que o dinheiro era de negócios que efetuou no setor agropecuário.

Além dele, também saíram da companhia o diretor financeiro Paulo Sérgio Gobbi, enquanto o gerente jurídico Milton Gimael está em férias. Ele é funcionário de carreira e, ao retornar, ficará em seu cargo de origem, e não mais como gerente. O assistente técnico administrativo Luiz Henrique Moreira da Silva, que havia sido nomeado por Gasparini, também saiu.
 
Sindicância foi aberta
O presidente da Cohab, Arildo Lima Jr., determinou a abertura de uma sindicância para apurar como foram feitos os contratos com as construtoras, e a questão envolvendo os saques mensais de R$ 400 mil. "A sindicância já foi aberta, internamente a companhia tem o dever de apurar o que ocorreu. Estamos ainda prestando todas as informações que o Gaeco está pedindo, e se a Câmara também fizer pedidos de informação, receberá todos os documentos e também poderá chamar quem for preciso para esclarecer fatos", afirma Lima Jr.

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