Cultura - 16/02/2017 - 10h20

Após quase 40 anos, garoto-propaganda recordista da TV é dispensado

Uol

De 1978 a 2016, Carlos Moreno teve "mil e uma utilidades" na TV. Garoto-propaganda recordista na publicidade mundial, ele marcou época e é conhecido até hoje como ícone da Bombril, marca de produtos de limpeza. Desde o ano passado, no entanto, Moreno, de 63 anos, não faz mais parte das campanhas da empresa. Após ser substituído por Dani Calabresa, Monica Iozzi e Ivete Sangalo em algumas campanhas, ele terminou sua longínqua parceria com a marca.

"O contrato estava para acabar e a Bombril passava por uma situação complicada. Fizeram cortes bem malucos em toda a empresa, inclusive na área de publicidade. Até me fizeram uma proposta de renovação, mas era meio absurda. Então chegamos num consenso: já que não estava sendo aproveitado, não tinha nenhuma perspectiva de trabalhar, não fazia sentido eu continuar contratado. No futuro, se tiver interesse, a gente volta a trabalhar junto com o maior prazer", conta.

A trajetória de Moreno como garoto-propaganda começou em 1977, quando fez teste e foi contratado por Washington Olivetto para interpretar um funcionário (com jeito de cientista) da marca de esponjas de aço e aconselhar a dona de casa consumidora nos comerciais.

A primeira campanha foi ao ar em 1978, e o ator teve contrato ininterrupto até 2004. Ele ficou afastado da empresa até 2007, quando voltou a fazer as propagandas. Moreno estima que tenha feito quase 400 comerciais em todo o período, além de muita publicidade para mídia impressa. Segundo o Guinness Book, Moreno é desde 1994 o garoto-propaganda de maior tempo de permanência no ar.

"Não tinha muito uma periodicidade, eu ia a cada três meses no estúdio e fazia campanhas. Nunca fiz aquelas loucuras do Fabiano [Augusto, das Casas Bahia], mas às vezes a gente gravava quatro ou cinco filmes numa diária. Em 1998, 1999, a gente praticamente não fez filme, só fazia foto. Toda semana tinha uma foto nova para fazer, eram sempre baseadas em alguma personalidade, algum acontecimento da semana", lembra.

Em 2013, a comunicação da marca mudou: em vez de Moreno, a Bombril colocou na tradicional bancada de seus comerciais Dani Calabresa, Monica Iozzi e Ivete Sangalo para falarem de forma bem-humorada sobre a evolução da mulher e dos produtos (com leve deboche sobre os homens). O ator foi deixado no “banco de reservas”.

"Não vou negar que fiquei chateado, eu adorava fazer o trabalho. Mas era uma proposta da empresa de mudar a comunicação, então eu tive que aceitar. Depois, quando tive a chance de trabalhar com elas, adorei as três, me diverti bastante. Eu entendo que nada é eterno. A vida inteira fui consciente de que as campanhas terminariam. Passei o bastão para as meninas e elas trabalharam lindamente", afirma.

Com tantos anos na publicidade, Moreno nunca fez novelas ou séries _seu trabalho mais marcante na TV foi o personagem Euclides no infantil Rá-Tim-Bum, da Cultura. Ator de teatro, ele afirma que se sente mais à vontade nesse meio, que conhece melhor e tem a possibilidade de produzir suas próprias peças.

Nos últimos anos, Moreno ficou em cartaz com o espetáculo Florilégio Musical e pretende, ao lado da atriz Mira Haar (de Mundo da Lua, 1991), dar continuidade a essa história. O ator está no ar atualmente em uma campanha de uma ótica, mas confessa que sente saudades de seu auge como garoto-propaganda.

"Eu sinto saudades, sinto mesmo. É um trabalho que eu tenho muito orgulho de ter feito, foi um marco. Tenho um patrimônio que é esse personagem que eu fiz, que sempre foi rodeado por muitos cuidados, é um trunfo que eu tenho. Pretendo fazer publicidade enquanto puder, desde que tenha um texto legal e tenha qualidade", discursa.

 

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