Cultura - 01/11/2018 - 10h50

A glória de Freddie Mercury

'Bohemian Rhapsody' chega aos cinemas hoje
JcNet

Não é preciso ser um produtor experiente como Graham King, cujo currículo abrange filmes de Michael Mann, Martin Scorsese e Clint Eastwood, para saber que Queen, uma das bandas mais bem-sucedidas da história, e seu carismático e talentoso líder Freddie Mercury valiam um filme. Mas como foi longo - 9 anos - e árduo o caminho de "Bohemian Rhapsody" para chegar às telas.

No Brasil - e em Bauru -, o filme estreia hoje. "Primeiro, o problema era escolher qual parte de sua vida contar", disse King. "Levou muito tempo para chegar a um roteiro que me deixasse satisfeito." No fim, foram dois escritores, Peter Morgan (indicado para o Oscar por A Rainha e Frost/Nixon) e Anthony McCarten (de A Teoria de Tudo e O Destino de uma Nação). Depois, a escolha das músicas.

A primeira controvérsia aconteceu com Sacha Baron Cohen, cotado para viver Freddie Mercury, embora King negue que seu nome estaria confirmado. Baron Cohen deu uma entrevista dizendo que tinha sido afastado, porque Brian May, um dos integrantes do Queen, estava querendo controlar o longa. "De repente, virou culpa dele", contou King.

O produtor acabou encontrando seu Freddie Mercury em Rami Malek. "Fiz uma reunião com ele. Dava para sentir que organicamente havia algo de Freddie nele." King não queria um ator branco no papel - Mercury era de origem pársi e nascido em Zanzibar. A família de Malek vem do Egito. O cineasta Bryan Singer ficou tão impressionado com o vídeo do ator recriando uma rara entrevista dada por Mercury, que ligou na hora para seu agente dizendo que queria que fizesse o filme.

Malek deu o sangue pelo papel: enquanto gravava Mr. Robot em Nova York, voava para Londres nas poucas folgas para fazer aulas de movimento, canto e piano. Sua primeira sequência foram os 20 minutos que reproduzem a histórica apresentação do Queen no Live Aid, em 1985, que abre e fecha o filme. "Queríamos que fosse tão autêntico quanto possível", disse Malek. "Não dava para improvisar, porque está gravado na memória das pessoas."

A famosa performance em São Paulo, com Love of My Life, cantada a plenos pulmões pela plateia, serve como introdução e pano de fundo para a cena em que Freddie Mercury revela à sua então noiva, Mary Austin (Lucy Boynton), ser gay. Os dois permaneceram próximos a vida toda.

Duas semanas antes do fim das filmagens, mais um golpe: o diretor Bryan Singer foi demitido pelo estúdio por estar faltando ao set, oficialmente para cuidar da mãe doente. Dexter Fletcher, que anteriormente tinha sido cotado para a direção, rodou o que faltava. Depois de tantos tropeços, é hora de revelar "Bohemian Rhapsody" para o mundo, o que deixa o produtor e seus atores nervosos. "Eu sinto o peso de Brian (May) e Roger (Taylor) me darem o direito de filmar suas vidas. Eles foram muito pacientes. Eles não precisam fazer o filme, têm seu legado garantido. E os dois perseveraram. Espero que tenha valido a pena."

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