Geral - 21/06/2018 - 15h40

Em dois anos, Cerrado perde mais de 1 milhão de campos de futebol

Redação
 
 
 
 
 
 
Em 2016 e 2017, o cerrado brasileiro perdeu 14.185km² de vegetação nativa para o desmatamento, uma área equivalente a aproximadamente 1 milhão de campos de futebol, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (21/06), pelo Ministério do Meio Ambiente. Foram 6.777km² em 2016 e 7.408 km² em 2017, com isso metade do bioma não existe mais. 
 
Os dados, no entanto, são considerados positivos pelo governo, pois, apesar da alta de 9,3% de um ano para outro, houve redução de 53% no desmatamento entre 2015 e 2017. 
 
A região Norte do Cerrado sofreu um desmatamento na fronteira agrícola formada entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piaui e Bahia. A partir desse ano, o Cerrado passará a ser monitorado anualmente assim como ocorre com a Amazônia. Segundo o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, a meta é que o monitoramento ocorra em todos os biomas. 
 
"A partir desse ano a mensuração do desmatamento se estende além da Amazônia, para o Cerrado também, mas a meta é que esse monitoramento ocorra em todos os biomas. Mas aumentou muito a pressão agropecuária sobre o cerrado nesses últimos anos", afirma o ministro.
 
O mapeamento foi realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no âmbito do projeto Prodes Cerrado, monitoramento por satélite realizado em conjunto com os ministérios do Meio Ambiente e de Ciências, Tecnologia e Inovação.
 
O ministro do Meio Ambiente reiterou sua preocupação com o desmatamento no país. "Eu defendo desmatamento zero para práticas ilegais. Temos procurado todos os governadores e secretários estaduais. Manter um Brasil competitivo no mundo e preservando as nossas florestas, tornará o Brasil a maior nação do mundo em sustentabilidade e produção", disse Duarte.
 
Ele também defendeu o trabalho em conjunto contra essas práticas criminosas. "Esses dados apontam na necessidade de continuarmos a política de controle, a politica que fez o desmatamento cair depois de sucessivas altas. E a mobilização de diversas forças nacionais como policiais federais e estaduais. É um intenso trabalho do Ministério Público e a Polícia Federal para desbaratar as quadrilhas que mantêm o crime financiado com os desmatamentos na Amazônia e no Brasil. Nossa expectativa é que esses dados se mantenham em queda. Há pressão, a interesses que motivam ações criminosas", explica.
 
Até o momento 19 estados aderiram ao Sinaflor, que é o Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais. "Todas as autorizações de manejo só poderão ocorrer com a autorização do Sinaflor. Ele é um sistema elaborado pelo Ibama mas reúne todos os estados. é obrigatório o cumprimento de tudo aquilo que está na lei florestal. O ruralista terá que apresentar todas as autorizações rurais. A licença está dispensada, mas os controles estão mantidos", destaca a presidente do Ibama, Suely Araújo.
 
O ministro e a presidente do Ibama também comentaram a mudança na lei dos agrotóxicos. "É uma proposta do Parlamento que acompanhamos com muita atenção, porque interessa à saúde pública e a produção brasileira", afirmou Edson Duarte.
 
"O Ibama se posiciona contrário a qualquer redução no registro de agrotóxicos. Os problemas podem solucionados por decreto e não por uma nova legislação", finaliza a presidente do Ibama.
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