Geral - 15/12/2018 - 09h35

Atriz denuncia colega por estupro e dá início ao #MeToo na Argentina

Redação/G1


A atriz argentina Thelma Fardin acusou seu colega Juan Darthés de estupro. Em coletiva de imprensa ao lado de outras cerca de 50 mulheres, do coletivo Atrizes Argentinas, ela afirmou que foi atacada pelo ator em 2009, durante uma turnê da peça infantil "Patito feo" pela Nicarágua, quando tinha 16 anos.

Segundo ela, o colega da produção a forçou a fazer sexo no hotel em que estavam. Fardin foi até o país para fazer uma acusação formal contra o ator.

"Uma noite começou a beijar meu pescoço, e eu disse que parasse. Então ele agarrou minha mão e me disse: 'Veja como você me deixa'", disse ela em vídeo exibido no evento.

"Me jogou na cama, baixou meu short e me fez sexo oral. Segui dizendo que não. Disse: 'Teus filhos têm a minha idade'. Ele não se importou. Subiu em cima de mim e me penetrou. Neste momento, alguém bateu à porta e eu pude sair do quarto do hotel."

Segundo a atriz, ela só teve coragem de fazer a denúncia graças à acusação feita por outra atriz, Calu Rivero, em 2017. De acordo com o jornal "Clarín", Rivero afirma que Darthés tentou abusar dela em 2012, durante gravação da novela "Dulce Amor".

Em uma entrevista a um canal de televisão, Darthés, que é argentino mas nasceu em São Paulo, diz que o ataque nunca aconteceu, e que foi ela quem foi ao seu quarto, se "insinuando".

O ator chegou a processar Rivero por calúnia, mas não compareceu à audiência marcada para esta quinta-feira (13).

O evento do coletivo foi chamado de #MeToo argentino, em referência ao movimento contra o assédio e o abuso sexual em Hollywood após as denúncias contra o produtor Harvey Weinstein.

As repercussões da denúncia chegaram a outras áreas do país também. O senador Jorge "Loco" Romero renunciou após também ser acusado de abuso sexual, e as linhas de denúncia de abuso sexual infantil do Ministério de Justiça e Direitos Humanos receberam 214 chamados nesta quarta-feira (12).

Em discurso nesta sexta-feira (14), o presidente Mauricio Macri apoiou o movimento. "Não deve existir medo diante da verdade", disse.

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