Geral - 19/02/2019 - 16h50

MPF: 'bunker' de Paulo Vieira tinha R$ 100 milhões

Redação/G1


O procurador Roberson Pozzobon disse nesta terça-feira (19/02), que o “bunker” de dinheiro de Paulo Vieira de Souza (foto acima), preso na 60ª fase da Operação Lava Jato, tinha o dobro de dinheiro do que o que havia no apartamento usado por Geddel Vieira Lima para armazenar dinheiro de propina. Segundo o procurador, o operador tinha cerca de R$ 100 milhões em espécie em dois apartamentos em São Paulo.

O "bunker de Geddel" é como ficou conhecido o apartamento atribuído ao ex-ministro e ex-deputado federal, onde a Polícia Federal encontrou em R$ 51 milhões em setembro de 2017.

Paulo Vieira de Souza é ligado ao PSDB e foi preso preventivamente nesta terça. Ele deve ficar preso em São Paulo pelo menos até o dia 27 de fevereiro, porque precisa comparecer a audiências de processos que responde na capital paulista.

Agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-senador tucano Aloysio Nunes Ferreira Filho, suspeito de receber propina da Odebrecht (leia mais abaixo).

“Adir Assad revelou que Paulo Preto possuía entre cerca de R$ 100 milhões ou 110 milhões no Brasil em espécie, em notas, então imaginem todos aqui o volume desse dinheiro. É muito volume. E esse dinheiro estava acondicionado em dois endereços. Estava acondicionado num endereço numa residência em São Paulo e também num apartamento que segundo revelado por Adir Assad era o local onde Paulo Preto tinha um bunker pra guardar as propinas”, disse Pozzobon.

O procurador comparou o volume de dinheiro ao encontrado em apartamento ligado a Geddel Vieira Lima. "Se nós formos levar em consideração, talvez o bunker de Paulo Preto tivesse o dobro do dinheiro do bunker de Geddel. O escárnio era tão grande que Adir Assad revelou que não conseguiu buscar todos os valores por si, então mandou emissários buscarem dinheiro nesse endereço de Paulo Preto", disse o procurador.

Ainda conforme Pozzobon, eram preciso cuidados com as notas, para não estragarem. "E esses emissários falaram: olha, as vezes a gente ia buscar o dinheiro nesse apartamento, tinha um quarto só pra guardar notas de dinheiro. Só que como era um quarto úmido, algumas vezes a gente via Paulo Preto colocando as notas de reais pra tomar sol, porque senão elas emboloravam. Isso foi revelado por auxiliares do Adir Assad", disse.

Roberson Pozzobon disse que, na delação, Adir Assad relatou como era feita a retirada do dinheiro em espécie.

"No outro endereço, o próprio Adir Assad foi buscar as notas, e aí ocorreu um transfer curioso. Ele falou que o volume de dinheiro era tanto que ele precisava chegar com uma perua, ele estacionava a perua de ré, e com cinco ou dez malas de viagem, ele enchia as malas de viagem e levava esse volume de reais pro seu endereço", descreveu.
Cada mala, conforme o relato de Adir Assad, comportava cerca de R$ 1,5 milhão.

Questionado sobre a origem do dinheiro repassado por Paulo Vieira de Souza à Odebrecht, o procurador explicou que os valores eram de "múltiplos esquemas criminosos".

O advogado de Paulo Vieira de Souza, André Gerheim, informou que "não teve acesso a qualquer documentação" e não vai comentar.

Em nota, o PSDB afirmou que não tem vínculos com Paulo Vieira de Souza.

Leia a íntegra da nota:
"O PSDB esclarece que não é parte no processo em questão e não mantém qualquer tipo de vinculo com o sr. Paulo Vieira, jamais recebeu qualquer contrapartida de empresas nem autorizou terceiros a fazê-lo em seu nome. Os recursos recebidos pelo partido, em período eleitoral ou não, foram doados de maneira absolutamente legal e declarados à Justiça Eleitoral, respeitando a legislação vigente".

Aloysio pede demissão a Doria após ação da PF
O ex-senador pelo PSDB Aloysio Nunes Ferreira Filho, pediu demissão da presidência da InvestSP na tarde desta terça-feira. Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em sua casa. De manhã, Aloysio negou qualquer envolvimento em esquema de propina da Odebrecht.

Em trecho da carta, endereçada ao governador de São Paulo João Doria, Aloysio disse que ficou surpreso com a investigação da Polícia Federal. "Como é de conhecimento de V. Exa., fui surpreendido hoje por um diligência da Polícia Federal em minha casa, em cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal."

No documento, ele disse que não teve acesso aos autos do inquérito em que é investigado. "(...) mas o fato incontornável é a repercussão negativa desse incidente, que me mortifica a mim e à minha família, e que também pode atingir o governo de V. Exa."

Ele disse ainda que acionou seus advogados e que irá colaborar com as autoridades. Aloysio encerrou a carta pedindo seu deligamento da presidência da InvestSP. "Nessas circunstâncias, imperativos de ordem pública e de ordem privada recomendam que V. Exa. me dispense da função de presidente da InvestSP para a qual fui honrado com sua designação."

A investigação da Lava Jato aponta uma transação de 2007, quando a Odebrecht transferiu € 275.776,04 para a conta de Paulo Vieira de Souza. A transferência foi feita por intermédio da offshore Klienfeld Services Ltd. A apuração identificou que, no mês seguinte à transferência, foi emitido um cartão de crédito em nome de Aloysio Nunes Ferreira, vinculado à conta de Paulo Vieira de Souza. O banco foi orientado a entregar o cartão de crédito no Hotel Majestic Barcelona, na Espanha, onde o Nunes estava hospedado.

Aloysio é ex-senador pelo PSDB e ex-chanceler do governo Michel Temer. Em outra investigação, o ex-senador é suspeito de receber ilegalmente R$ 500 mil do grupo Odebrecht para financiar sua campanha para o Senado em troca de favores políticos. O STF autorizou a investigação contra ele, após pedido da Procuradoria-Geral da República.

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