Geral - 08/03/2019 - 11h20

Casos de violência contra a mulher disparam em janeiro e fevereiro

Redação/G1/Metropóles

Os números de violência contra a mulher dispararam. As denúncias recebidas pelo Ligue 180, a central de atendimento à mulher, aumentaram 36,8% no primeiro bimestre deste ano quando comparado ao mesmo período de 2018. Somente em janeiro e fevereiro, foram recebidas 17.836 queixas.
 
A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, classificou os números como “assustadores” e disse que “os casos se tornaram endêmicos no país”. “Nesta nação os números de violência ainda nos assustam. Essa nação ainda será conhecida como aquela que se levantou para proteger a mulher, meninas e a todos”, destacou a ministra.
 
As principais agressões registradas são de cárcere privado, feminicídio, trabalho escravo, tráfico de mulheres, violência física, moral, obstétrica e sexual. “Cheguei à conclusão que precisamos ir para as salas de aula ensinar os nossos meninos que nossas meninas precisam ser amadas e respeitadas. Que elas são iguais em direitos e oportunidades”, ponderou Damares.
 
A ministra deu a declaração durante a assinatura do acordo de cooperação técnica para estabelecimento de políticas públicas de combate à violência doméstica e familiar. Essa é uma parceria dos ministérios da Justiça e Segurança Pública e o da Mulher, Família e Direitos Humanos.
 
A ministra disse que as ferramentas de defesa da mulher necessitam de reestruturação. “Não adianta ter tornozeleira, se a rede de proteção não está funcionando. Não adianta a cidade ter uma excelente delegacia da mulher se a vara de defesa não está funcionando. Temos que rever toda a rede de proteção à mulher nesta nação”, criticou.
Mesmo com histórico religioso – ela é pastora -, Damares atacou líderes religiosos. “Chega de sacerdotes receberem na igreja mulheres que apanharam e eles somente orarem por elas e mandarem perdoar o agressor. Eles terão que assumir um papel de mudança”, finalizou.
 
Registros no Brasil de casos de feminicídio sobem 12% em 2018
O Brasil teve uma ligeira redução no número de mulheres assassinadas em 2018. Mas, ainda assim, os registros de feminicídio cresceram em um ano. É o que mostra um levantamento feito pelo site G1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.
 
São 4.254 homicídios dolosos de mulheres, uma redução de 6,7% em relação a 2017, quando foram registrados 4.558 assassinatos – a queda é menor, porém, que a registrada se forem contabilizados também os homens.
 
Houve ainda um aumento no número de registros de feminicídio, ou seja, de casos em que mulheres foram mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Foram 1.173 no ano passado, ante 1.047 em 2017.
 
O levantamento, publicado nesta sexta (8), Dia Internacional da Mulher, faz parte do Monitor da Violência.
 
O novo levantamento revela que:
  • O Brasil teve 4.254 homicídios dolosos de mulheres em 2018 (uma redução de 6,7% em relação ao ano anterior)
  • Do total, 1.173 são feminicídios (número maior que o registrado em 2017).
  • Oito estados registram um aumento no número de homicídios de mulheres; 16 contabilizam mais vítimas de feminicídio em 2018
  • Roraima é o que tem o maior índice de homicídios contra mulheres: 10 a cada 100 mil mulheres
  • Acre é o estado com a maior taxa de feminicídios: 3,2 a cada 100 mil
Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio – ou seja, que envolvam "violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher". Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.
 
Os dados mostram que, quatro anos após a sanção da Lei do Feminicídio, há uma maior notificação desses casos — ou seja, mais delegados estão enquadrando os crimes como feminicídio, e não apenas como homicídio doloso.
 
Casos em 2019
Neste ano, os registros de feminicídios e de agressões a mulheres seguem recebendo destaque. Apenas nesta semana, a poucos dias do Dia Internacional da Mulher, diversos casos chamaram a atenção.
 
  • Em Borborema (SP), Thaís de Andrade, de 29 anos, morreu estrangulada pelo namorado na terça-feira (5). Segundo a polícia, o crime aconteceu durante uma briga do casal, quando os dois voltavam de uma festa de carnaval. Anderson Dornelos Urich, de 25 anos, foi preso.
  • No mesmo dia, um policial militar atirou na cabeça da própria mulher em Fortaleza.
  • Já em Goiânia, uma mulher de 42 anos disse que precisou se fingir de morta para que o ex-namorado parasse de agredi-la. Os dois haviam terminado o relacionamento há um mês por causa do ciúme excessivo dele. O homem, porém, não aceitou o fim do namoro.
  • Na quarta-feira (6), mais de cinco casos de agressão a mulheres foram registrados pelo site em todo o país. Todas as investigações apontam para os companheiros das vítimas.
  • Em Dores do Rio Preto (ES), Jane Cherubim, de 36 anos, foi espancada e abandonada em uma estrada. O principal suspeito é o seu namorado, Jonas Amaral
  • Em Goiânia, Valdireno de Souza, de 36 anos, foi preso sob a suspeita de tentar matar a namorada a facadas. Ela tinha uma medida protetiva contra ele, mas os dois tinham reatado o namoro há uma semana
  • Uma mulher foi encontrada morta em uma apartamento em Bom Despacho (MG), com 15 perfurações no corpo. O namorado, que é o principal suspeito do crime, se suicidou após o crime. A mulher tinha dois filhos
  • A estudante Cíntia de Jesus Silva, de 22 anos, foi morta a tiros pelo companheiro na frente dos dois filhos em Guararema (SP). Após o crime, ele se matou
  • Em Sumaré, Claudia Aragão, de 44 anos, foi morta a facadas pelo marido dentro de casa. Ele confessou o crime e foi preso
  • Uma mulher foi morta por golpes de facão pelo seu marido, em Barcarena (PA). Segundo a polícia, ele foi esfaqueada até perder as forças. O homem fugiu
  • Em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Isabela Miranda de Oliveira, de 19 anos, morreu na quarta-feira (6) três dias após ser estuprada pelo cunhado e, na sequência, ser espancada e queimada, ainda viva, pelo namorado. O namorado está preso e o cunhado prestou depoimento e foi liberado.
  • Em fevereiro, um caso do Rio de Janeiro chamou a atenção de todo o país por conta do grau de violência. Elaine Perez Caparroz, de 55 anos, foi espancada durante quatro horas em seu apartamento por Vinícius Batista Serra, de 27 anos. Aquele foi o primeiro encontro dos dois.
 

 

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