Geral - 21/05/2019 - 13h55

Governo libera registro de 31 novos agrotóxicos; todos são considerados perigosos ao meio ambiente

Redação/OGlobo

O Ministério da Agricultura divulgou esta terça-feira (21/05), a liberação do registro de 31 novos agrotóxicos no país. Desde o início do ano, foram 169 — o equivalente a mais de um por dia.

Dos novos produtos, oito são classificados como extremamente tóxicos; cinco estão na categoria de altamente tóxicos; 13, medianamente; e cinco, pouco tóxicos.

Em relação à periculosidade ambiental, 17 são vistos como perigosos ao meio ambiente; 13, como muito perigosos, e um como altamente perigoso.

Para um agrotóxico ser liberado no país, é preciso que ele passe pelo crivo do Ministério da Agricultura (responsável pela ciência agrônoma), Ibama (que estuda o impacto ambiental) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa , que analisa os impactos à saúde).

Segundo levantamento do Jornal O Globo, realizado com base em dados do Ministério da Saúde, as notificações por intoxicação por agrotóxico dobraram desde 2009, passando de 7.001 para 14.664 no ano passado. No entanto, segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que este índice pode ser até 50 vezes maior.

Um dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) alertou que, mesmo que alguns dos efeitos de intoxicação por agrotóxicos sejam classificados como medianamente ou pouco tóxicos, não se devem perder de vista os "efeitos crônicos que podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em doenças congênitas como cânceres, más-formações congênitas, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais".

Já os sintomas de intoxicação aguda, que são mais comuns e provocados por produtos como inseticidas, fungicidas e herbicidas, incluem tonteiras, vômitos, fraqueza e conjuntivite.

Ambientalistas acusam o governo federal de aumentar o poder do Ministério da Agricultura na liberação de registros de agrotóxicos, em detrimento das outras entidades. Neste ano, o Ministério do Meio Ambiente cortou 24% do orçamento do Ibama, o que pode prejudicar a análise de novos químicos no instituto. A Anvisa, por sua vez, reduziu a frequência de seus relatórios de resíduos em alimentos. O documento era divulgado anualmente, mas, agora, é divulgado apenas a cada três anos.

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