Geral - 13/08/2019 - 11h10

Emissão de gases de efeito estufa bate novo recorde, diz estudo

Redação/G1
 
O Planeta Terra bateu um novo recorde de emissão de gases de efeito estufa na atmosfera em 2018. Segundo o relatório "Estado do Clima 2018", divulgado na segunda-feira (12) no Boletim da Sociedade Americana de Meteorologia, a emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso seguiu aumentando e, combinados com outros gases conhecidos como halogenados, já têm um efeito de aquecimento 43% maior do que em 1990.
 
Além disso, 2018 entrou para a lista de quatro anos mais quentes desde pelo menos o fim do século 19, quando a medição começou a ser feita. Os únicos três anos mais quentes que 2018 foram 2015, 2016 e 2017.
 
"Todos os anos desde o início do século 21 têm sido mais quentes do que a média entre 1981 e 2010", diz o relatório. Entre os especialistas, essa média, também chamada de "normal climatológica" é uma taxa média anual a partir da qual as temperaturas recentes são comparadas, para se ter uma medida de quanto as temperaturas têm variado.
 
'Raio-x do clima'
Essa é a 29ª edição do relatório "Estado do Clima", que é publicado anualmente, sempre na metade do ano, e é elaborado pelos centros de informação sobre o clima da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), com o apoio de centenas de especialistas no assunto pelo mundo.
 
O cientista peruano Jose Antonio Marengo Orsini, que vive no Brasil há 25 anos e hoje é coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), é um dos vários coautores do estudo que se ocuparam do capítulo relativo às Américas do Sul e Central.
 
Segundo ele, o relatório publicado nesta segunda "é como um raio-x do clima em todo o mundo", que registra os eventos particulares registrados durante cada ano. "É feito regularmente, em outubro começamos a preparar o material para publicar no próximo ano", afirmou.
 
Além do Cemaden, as outras entidades brasileiras que colaboraram com o relatório são o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
 
O que é o efeito estufa?
O efeito estufa é um fenômeno natural no qual a atmosfera da Terra retém o calor que é irradiado pelo Sol e reflete na superfície, ou emitido da Terra para o espaço. Porém, ele pode ser exacerbado pela ação humana, com a emissão excessiva de gases, principalmente o dióxido de carbono.
 
Marengo, que é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia Mundial de Ciências, explica que uma das consequências naturais do efeito estufa é o fato de a temperatura na Terra ser "agradável e adequada" para as pessoas. "Se não fosse, as pessoas morreriam de frio", diz ele, ressaltando, porém, que o problema começa quando a emissão de gases passa a ser excessiva.
 
Para explicar o fenômeno, o cientista dá como exemplo alguém que está com frio e coloca um casaco. "Quando aumenta [a temperatura], é como se vocês colocasse seis, sete, oito casacos. Você começa a sufocar", compara José Marengo, coordenador-geral do Cemaden.
 
Segundo o estudo divulgado nesta segunda, "o dióxido de carbono é responsável por cerca de 65% do forçamento radiativo".
 
O capítulo do relatório dedicado à região central da América do Sul, onde fica o Brasil, o Peru, o Paraguai e a Bolívia, destacou alguns extremos de temperatura registrados no país.
 
No Sudeste brasileiro, por exemplo, a temperatura em 2018 foi 1º Celsius mais alta do que a média. Em abril e maio, o Sul do Brasil, assim como a Bolívia e o Paraguai, registraram temperatudas entre 2ºC e 4ºC acima da média, enquanto em julho e setembro a região tropical brasileira, a Leste dos Andes, também teve temperaturas mais altas do que o esperado.
 
Destaques do relatório
  • O nível dos oceanos subiu pelo sétimo ano consecutivo, atingiu a maior média global anual em 26 anos, chegando a 81 milímetros acima do nível médio de 1993;
  • A temperatura no Ártico em 2018 foi 1,2º Celsius acima da média entre 1981 e 2010 e, em junho de 2018, o território ártico coberto por gelo já tinha encolhido para a metade do que era há 35 anos;
  • Algumas regiões do mundo bateram recordes históricos de temperaturas altas, como o Paquistão, com 50,2º Celsius em abril de 2018;
  • Nos países próximos da Linha do Equador, o número de tempestades tropicais foi de 95, acima da média registrada entre 1981 e 2010, de 82 tempestades anuais;
  • A intensidade deles também foi mais alta: um exemplo é o furacão Michael, de outubro de 2018, o quarto mais forte a atingir o continente norte-americano em 168 anos;
  • Também nos Estados Unidos, os incêndios florestais foram mais devastadores em 2018 e destruíram 3,5 milhões de hectares, mais que a média de 2,7 milhões da primeira década deste século;
  • Por outro lado, na Groenlândia, as temperaturas locais no verão foram um pouco mais baixas do que a média, e um satélite que analisou 47 geleiras indicou que elas aumentaram de área pela primeira vez desde 1999.
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