Geral - 17/01/2020 - 13h40

Secretário da Cultura é demitido após discurso com referências nazistas

Redação/G1/Outros

O secretário especial de Cultura, Roberto, Alvim foi exonerado do cargo, segundo confirmou a assessoria da pasta na manhã desta sexta-feira. Ele provocou uma onda de indignação após copiar frases de um discurso nazista em um pronunciamento oficial da pasta.

A polêmica surgiu após um vídeo ser divulgado para anunciar o Prêmio Nacional das Artes. Na gravação, Alvim copiou uma citação do ministro de propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels. Além disso, o anúncio traz como fundo musical a ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, compositor alemão celebrado pelo nazismo.

O vídeo e as referências ao nazismo incomodaram até mesmo o mentor de Roberto Alvim, o ideólogo Olavo de Carvalho. "É cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos", publicou Carvalho.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pediram o afastamento de Alvim. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli disse que a declaração do secretário de Jair Bolsonaro é uma "ofensa ao povo brasileiro, em especial à comunidade judaica".

Em nota, a Confederação Israelita do Brasil (Conib), órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira, defendeu a saída imediata de Alvim e declarou: "Emular a visão (de Goebbels) é um sinal asssutador da sua visão de cultura, que deve ser combatida e contida".

A Conib relembrou os efeitos nefastos do nazismo para a humanidade. "Goebbels foi um dos principais líderes do regime nazista, que empregou a propaganda e a cultura para deturpar corações e mentes dos alemães e dos aliados nazistas a ponto de cometerem o Holocausto, o extermínio de 6 milhões de judeus na Europa, entre tantas outras vítimas", disse a entidade.

Além disso, lembrou que o Brasil enviou soldados para combater o nazismo em solo europeu.

"Uma pessoa com esse pensamento não pode comandar a cultura do nosso país e deve ser afastada do cargo imediatamente", conclui a Conib no comunicado.

A Embaixada da Alemanha no Brasil também se manifestou dizendo que o nazismo é o período mais sombrio da história daquele país e, portanto, não pode ser glorificado, ou banalizado.

"O período do nacional-socialismo é o capítulo mais sombrio da história alemã, trouxe sofrimento infinito à humanidade. A Alemanha mantém sua responsabilidade", enfatizou a embaixada, em uma nota publicada em uma rede social.

"Opomo-nos a qualquer tentativa de banalizar ou mesmo glorificar a era do nacional-socialismo", finalizou.

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